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Frutos e bagas7 min de leitura

O fruto noni

O fruto noni, originário da Polinésia, é um superalimento rico em nutrientes com mais de 2000 anos de uso tradicional. Com o seu elevado teor de vitaminas, minerais e antioxidantes oferece um perfil nutricional impressionante. Este artigo percorre os componentes, os efeitos e os usos deste fruto singular.

Lilia Baron

Redatora

Traduzido por IA.Ler o original em alemão
Noni-Frucht

O noni, um prodígio nutricional da Polinésia

O fruto noni, conhecido também como amora-indiana, é um superalimento exótico ainda bastante desconhecido entre nós, com uma longa história e usos muito variados. O noni vem originalmente da Polinésia e cresce em regiões tropicais como o Havai, as ilhas polinésias e as zonas costeiras da América Central. Há mais de 2000 anos que os povos originários dessas regiões o usam e o veneram como « rainha das plantas » ou « fruto dos deuses ». Ainda que o sabor não esteja bem à altura destes nomes veneráveis, os seus componentes valiosos compensam-no de sobra.

‍Os nutrientes do fruto noni

O fruto noni contém imensos nutrientes, entre eles vitaminas, minerais e compostos vegetais secundários.

Vitaminas:

  • Vitamina C: apoia o sistema imunitário e protege as células do stress oxidativo.
  • Vitaminas B: a vitamina B1 (tiamina), a vitamina B2 (riboflavina), a niacina (B3), a vitamina B6 (piridoxina) e a B9 (folato) são importantes, entre outras coisas, para o metabolismo energético, para o funcionamento do sistema nervoso e para a divisão celular.
  • Vitamina A: na forma de betacaroteno, importante para a visão, para o sistema imunitário e para a saúde da pele.
  • Vitamina E: um antioxidante lipossolúvel que ajuda a proteger as células do stress oxidativo.

Minerais:

  • Potássio: o fruto contém quantidades relativamente altas de potássio, importante para regular a tensão arterial e para o funcionamento de músculos e nervos.
  • Cálcio: importante para a saúde dos ossos e para a contração muscular.
  • Magnésio: intervém em mais de 300 reações enzimáticas do corpo, entre elas a síntese das proteínas e a função muscular e nervosa.
  • Ferro: necessário para o transporte de oxigénio no sangue e para a produção de energia.
  • Fósforo: essencial para ossos e dentes fortes e para a produção de energia nas células.
  • Zinco: apoia o sistema imunitário, a cicatrização e o metabolismo.
  • Cobre: intervém no aproveitamento do ferro e na formação dos glóbulos vermelhos.
  • Selénio: um antioxidante que apoia a saúde das células.
  • Manganês: importante para o metabolismo ósseo e para a formação de tecido conjuntivo.

Compostos vegetais secundários:

  • Antioxidantes: como os flavonoides e os fenóis, que podem ajudar a neutralizar os radicais livres.
  • Iridoides: compostos bioativos específicos como o damnacantal e a escopoletina, aos quais se atribuem propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras.
  • Betassitosterol: um fitosterol que pode influenciar o colesterol.
  • Polissacáridos: hidratos de carbono complexos capazes de modular o sistema imunitário.
  • Xeronina e proxeronina: alcaloides aos quais se atribuem vários benefícios para a saúde, ainda que a evidência científica seja limitada.
  • Terpenos: compostos orgânicos com possíveis propriedades anti-inflamatórias.
  • Antraquinonas: como a morindona e a rubiadina, que poderiam ter propriedades antibacterianas e antioxidantes.

Aminoácidos:

  • Aminoácidos essenciais: o noni fornece alguns aminoácidos essenciais como a leucina, a lisina, o triptofano, a isoleucina, a fenilalanina, a treonina e a valina, necessários ao metabolismo das proteínas.
  • Aminoácidos não essenciais: como a glicina, a serina e a tirosina, importantes para várias funções metabólicas.

Fibras:

  • Apoiam a digestão e favorecem uma flora intestinal saudável.

Ácidos gordos:

  • Ácido linoleico (ómega-6): importante para as funções celulares e para a saúde da pele.
  • Ácido oleico (ómega-9): pode ter efeitos positivos sobre o colesterol.
  • Ácido caproico e ácido caprílico: ácidos gordos de cadeia média com propriedades antimicrobianas.

Enzimas:

  • Proteases: enzimas que podem ajudar a decompor as proteínas.
  • Peroxidases: intervêm nos processos antioxidantes do corpo.

É uma lista longa e, ainda assim, incompleta. O teor mais alto é o de vitamina C, potássio e antioxidantes. Isto mostra que este fruto tem, sem dúvida, matéria para ser um superalimento. Agora que sabemos o que traz dentro, vejamos o que pode fazer pelo nosso corpo.

O efeito do noni

Pelo rico perfil nutricional do fruto noni atribuem-se-lhe vários efeitos sobre a saúde.

Tradicionalmente, o noni é usado para:

  • Aliviar a dor: para tratar dores de cabeça, articulares e musculares.
  • A cicatrização: como cataplasma ou pasta para tratar infeções da pele e feridas.
  • Problemas digestivos: para aliviar mal-estar de estômago e prisão de ventre.
  • O sistema imunitário: para fortalecer o corpo em geral e prevenir doenças.
  • Efeito anti-inflamatório: até alguns estudos apontam para que o noni possa ter efeitos anti-inflamatórios.
  • Propriedades antioxidantes: o fruto contém antioxidantes como as vitaminas C e E, capazes de neutralizar os radicais livres do corpo.
  • Mais energia e bem-estar
  • Melhorar o ânimo
  • Dormir melhor
  • Apoio em doenças cardiovasculares

É importante ter presente que muitos dos efeitos atribuídos ao fruto noni assentam em usos tradicionais ou em estudos científicos limitados. Faltam por ora provas clínicas suficientes para confirmar por completo estes benefícios.

Como se usa o noni

O noni pode ser usado de várias maneiras:

  • Sumo de noni: a forma de tomar mais habitual.
  • Cápsulas e comprimidos: o fruto seco e em pó, para uma dosagem mais simples.
  • Infusões: preparadas com as folhas ou com o fruto.
  • Uso externo: cremes ou pomadas com extrato de noni para a pele.

O noni toma-se sobretudo em sumo. Como já referi, ao sabor é preciso habituarmo-nos. Felizmente a dose diária é bastante pequena, por isso o sumo toma-se bem mesmo assim.

A dose

Como o noni se toma sobretudo em sumo, para a dose concentramo-nos no sumo. Começa com não mais do que 1 a 2 colheres de sopa de sumo por dia. Podes ir subindo devagar a quantidade até 40 ml por dia. É importante que tomes o sumo sempre em jejum. Tenta além disso bebê-lo o mais puro possível. A garrafa aberta deve ser guardada no frigorífico e consumida no prazo de três semanas.

Não há indicações claras sobre a duração recomendada nem sobre quando começa o efeito. O que há são muitos testemunhos que apontam para que o efeito surja ao fim de cerca de 3 semanas.

Comprar sumo de noni

Encontras sumo de noni em ervanárias, lojas de produtos naturais ou na internet. Há, no entanto, grandes diferenças de qualidade. Escolhe sempre um sumo direto. Os sumos diretos são puros e não estão diluídos com água nem com outros líquidos como sumos. Isso melhora o sabor, mas infelizmente não o efeito. É melhor tomares o sumo puro. Ao sabor habituamo-nos com o tempo. Repara também que seja um sumo de noni biológico e sem contaminantes.

Interações e efeitos indesejados do noni

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) classificou o sumo de noni (30 ml por dia) como seguro para a saúde. Não quero, porém, deixar de mencionar (ainda que não tenha sido demonstrada uma relação direta) que existem relatos de efeitos tóxicos para o fígado associados ao consumo de sumo de noni. Por isso, as pessoas com doenças do fígado devem ter cuidado.

O noni contém grandes quantidades de potássio. As pessoas com problemas de rins ou quem toma medicamentos que influenciam o nível de potássio devem evitá-lo.

O noni pode interagir com certos medicamentos, em particular com os que atuam sobre o fígado.

Somos todos tão diferentes e singulares que é sempre possível que alguém não tolere bem um alimento. Por isso, ouve sempre o teu corpo. Se notares que algo não te faz bem, é melhor não o tomares. Perante reações fortes, dirige-te logo a um médico.

A investigação científica sobre o fruto noni

Apesar dos muitos efeitos que lhe são atribuídos, até agora há poucos estudos científicos sólidos sobre o noni. Ainda assim vale a pena ver brevemente o que se sabe.

Estudos pré-clínicos

Em estudos de laboratório e com animais foram observados alguns efeitos potenciais do noni:

  • efeito estimulante sobre o sistema imunitário
  • propriedades antioxidantes
  • inibição do crescimento de células cancerígenas (da mama, do pulmão e de melanoma) em placa de Petri
  • prolongamento da sobrevivência de ratinhos com carcinoma do pulmão implantado após injeção de sumo de noni

Estes resultados da investigação de base não são, porém, transponíveis diretamente para o ser humano.

‍Estudos clínicos

Até agora quase não há estudos clínicos sobre a eficácia do noni em pessoas.

Alguns estudos mostraram efeitos positivos no âmbito do desporto e do rendimento:

  • melhoria da resistência
  • mais energia
  • recuperação mais rápida

Um grande inquérito a mais de 8000 participantes registou melhorias subjetivas do estado geral em 75 % deles. A esse estudo falta, porém, uma metodologia científica.

Para terminar

Ainda que no plano científico não haja ainda muitos resultados sobre o efeito do fruto noni, depois de mais de 2000 anos de uso tradicional comprovado para aumentar o bem-estar e a saúde, ganhou sem dúvida o nome de superalimento. No fim, cada um tem de o experimentar por si!